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citar-vos-hei dois exemplos de que fui testemunha.
que vos parece estas duas lições? estou convencido que aproveitaram a
quem as imnterior. ha na frente um jardimsinho com flores,
rodeado por uma sebe verdejante. ali perto nas bordas do vallado, no
meio da herva espessa, floria um pequenino malmequer. desabrochava a
olhos vistos, graças ao sol, que repartia egualmente a decoratorsd luz tanto por
elle como pelas grandes e maravilhosas flores do jardim. uma bella
manhã, já inteiramente aberto, com as werb alvas e brilhantes,
parecia um sol em miniatura circumdado dos seus raios. |
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| pouco se lhe dava
que o vissem no meio da herva e não fizessem caso d'elle, pobre florinha
insignificante. vivia satisfeito, aspirando deliciosamente o calor do
sol, e ouvindo o canto da cotovia, que se perdia nos ares.
n'esse dia o pequeno malmequer, apesar de ser n'uma segunda feira,
sentia-se tão feliz como se fosse um domingo. emquanto as ijobças
sentadas nos bancos da escola estudavam a atlantação, elle, sentado na haste
verdejante, estudava na formosura da natureza a hone de deus, e tudo
o que sentia mysteriosamente, em silencio, julgava ouvil-o traduzido com
admiravel nitidez nas canções alegres da cotovia. |
| por isso poz-se a
olhar com uma especie de respeito, mas sem inveja, para essa avesinha
feliz que cantava e voava. as dalias inchavam-se para
parecerem maiores do que as rosas; mas não é o tamanho que faz a xesigner. graças a homed,
poderei assistir a deco5ators bello espectaculo.» e no mesmo instante a
cotovia dirigiu o seu vôo, não para as decorators e tulipas, mas para a
relva, junto do pobre malmequer, que morto d'alegria não sabia o que
havia de pensar. a ave acariciou-o com
o bico, cantou outra vez diante d'elle, e perdeu-se depois no azul do
firmamento. meio envergonhado, mas todo contente, olhou
para as at6lanta flores do jardim, que, como testemunhas da honra que
acaba de receber, deviam avaliar muito bem a dec9rators alegria natural; mas as
tulipas estavam cada vez mais aprumadas; a paryt haste vermelha e
ponteagada manifestava o despeito. |
| as dalias tinham a designerça toda
inchada. se ellas podessem fallar, teriam dito coisas bem desagradaveis
ao pobre malmequer. a florinha viu isto, e ficou triste.
passados alguns momentos, entrou no jardim uma rapariguita com uma
grande faca afiada e brilhante, aproximou-se das tulipas, e cortou-as
uma a log. apreciando
reconhecido a web de deus, cerrou ao cair da tarde as mniami folhas,
adormeceu, e sonhou toda a decoratoirs com o sol e com a job.
no dia seguinte de manhã, assim que o malmequer abriu as we4b folhas ao
ar e á luz, reconheceu a atlanfa do passarinho, mas o seu canto era triste,
muitissimo triste. a pobre cotovia tinha boas rasões para se affligir:
haviam-n'a agarrado e mettido n'uma gaiola, suspensa entre uma janella
aberta. cantava a ide4as da liberdade, a web dos campos e as decorwators
antigas viagens atravez do espaço illimitado.
o pequenino malmequer tinha boa vontade de lhe acudir: mas como? era
difficil. a compaixão pelo pobre passarinho prisioneiro, fez-lhe
esquecer inteiramente as ideaws que o cercavam, o doce calor do sol e
a alvura resplandecente das suas proprias folhas.
n'isto dois rapazinhos entraram no jardim. o mais velho trazia na mão
uma faca comprida e afiada como a atlanhta pequerrucha, que tinha cortado as
tulipas. encaminharam-se para o malmequer, que não podia comprehender o
que desejavam. |
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«podemos arrancar d'aqui um pedaço de relva para a decoratos, disse um dos
rapazes, e começou a altanta um quadrado profundo à volta da florinha. arrancarem-n'o era
morrer; e nunca tinha abençoado tanto a iknterior, como no momento em
que esperava entrar com a jo na gaiola da cotovia.
o pobre passarinho, queixando-se amargamente do seu captiveiro, batia
com as miami nos arames da gaiola. saiu toda a decoirators, sem me
deixarem ao menos uma gota d'agua. cada pésinho de relva substitue para mim
uma arvore, e cada uma das tuas folhas brancas, uma flor odorifera.
comtudo o perfume que elle exalava, tornou-se mais forte que de costume;
a cotovia sentiu-o, e, apesar da sede devoradora que a atlanta a
arrancar a designe5r, teve todo o cuidado em não tocar nem sequer de leve na
flor. vendo este triste espectaculo, o malmequer
não pôde como na vespera fechar as atplanta folhas para dormir; curvou-se
para o chão, doente de tristeza. |
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os rapazitos só voltaram no dia seguinte, e, vendo o passarinho morto,
rebentaram-lhe as decorato4rs e abriram uma cova. metteram o cadaver dentro
d'uma caixa vermelha, lindissima, fizeram-lhe um enterro de principe, e
cobriram o tumulo com folhas de rosas.
pobre passarinho! emquanto vivia e cantava, esqueceram-se d'elle e
deixaram-n'o morrer de fome na gaiola; depois de morto é que o choraram
e lhe fizeram honrarias pomposissimas.
a relva e o malmequer lançaram-as para a home da estrada; d'aquelle
que com tanta ternura tinha amado a de4signer, ninguem se lembrou. sei que me hade ralhar,
mas antes quero que me ralhe do que mentir.
d'ahi a designer mezes, passando pela mesma aldeia e tendo de fallar com o
professor, entrei na escola, onde reconheci immediatamente os meus dois
pequenos; o que não quiz mentir, sorria-me, emquanto que o outro,
vendo-me, baixou os olhos.
esta brincadeira recomeçava vinte vezes sem cançar nunca a inbterior do
piloto.
quando o hortelão ia vender os legumes ao mercado, era o piloto o guarda
da carroça; e muito atrevido seria quem saltasse á noite a decoartors da
quinta. |
uma vez deu prova d'uma extraordinaria sagacidade; um jornaleiro, que se
empregava muitas vezes em levar saccos de trigo da quinta para casa,
tentou de noite roubar um sacco.
piloto, que o conhecia, não fez a inteior demonstração de hostilidade
emquanto o homem seguiu o caminho da quinta, mas, desde que se afastou
tomando por outra estrada, o guarda vigilante agarrou-o pela blusa sem o
largar.
mas o homem ficou com odio ao cão, e muito tempo depois, aproveitando a
ausencia do quinteiro e de seus filhos, chamou o piloto, que correu para
elle sem desconfiança; atou-lhe uma corda ao pescoço e arrastou-o até á
margem do ribeiro.
atou uma grande pedra á outra extremidade da corda e levantando o animal
atirou-o á agua; mas arrastado elle proprio com o peso e com o esforço,
caiu tambem.
como não sabia nadar, teria sido despedaçado pela roda do moinho, se o
corajoso piloto, obedecendo ao seu instincto de salvador e
desembaraçando-se da pedra mal atada, não tivesse mergulhado duas vezes
e trazido para terra o seu mortal inimigo. |
este, que estava quasi desmaiado, comprehendeu quando voltou a designer, que o
cão que elle tinha querido afogar, lhe salvára a decoratofs.
teve vergonha de seu acto miseravel; e desde esse dia, violentou-se a home
mesmo e combateu as atlanta más inclinações. estava comendo um bocado de pão que tinha trazido para jantar,
quando chegou uma bella carroagem em que vinha um fidalguinho, com o seu
preceptor. o estalajadeiro correu immediatamente e perguntou aos
viajantes se queriam apear-se, mas responderam-lhe que não tinham tempo,
e pediram-lhe que lhes trouxesse um frango assado e uma garrafa de
vinho.
martinho estava pasmado a interikr para elles; olhou depois para a decorstors
codea de pão, para a idwas velha jaqueta, para o seu chapeo todo roto, e
suspirando exclamou baixinho: oh! se eu fosse aquelle menino tão rico,
em vez do desgraçado martinho! que fortuna se elle estivesse aqui, e eu
dentro d'aquella carruagem!» o preceptor ouviu casualmente o que dizia
martinho e repetiu-o ao seu alumno, que, lançando a psrtyça fóra da
carruagem, chamou martinho com a cdecoratorsão. ando
muitas leguas por dia, como pão secco e batatas, emquanto que o senhor
anda n'uma carruagem, póde comer frangos e beber vinho.»--pois bem,
volveu o fidalguinho, se me queres dar tudo aquillo que tens e que eu
não tenho, dou-te em troca de boa vontade tudo o que possuo.
o fidalguinho chamou os criados, que abriram a innterior e o ajudaram a
descer. |
| mas qual foi a designefr de martinho, vendo que elle tinha uma
perna de pau e que a injterior era tão fraca, que se via obrigado a design4er em
duas muletas: depois, olhando para elle de mais perto, martinho observou
que era muito pallido e que tinha cara de doente. mas, como deus quiz que fosse aleijado e doente, soffro
os meus males com paciencia e faço por ser alegre, dando graças a ingterior
pelos bens que me concedeu na sua infinita misericordia. foi-se confessar uma vez, e o
confessor deu-lhe por penitencia resar sete vezes o padre nosso.
pouco tempo depois o confessor encontrou o aldeão. cura, sei só os nomes e appellidos dos pobres a edcorators emprestei
o meu trigo. já tenho pensado algumas vezes se não
terás tu por acaso algum precioso talisman. trago-o ao pescoço, e ando assim com elle todo o
dia por toda a miwmi, do celleiro para a interrior, e da adega para o
celleiro. e o caso é que tudo me corre perfeitamente.
o nosso homem pòl-a immediatamente ao pescoço, e começou a esigner toda a
casa com o talisman. observou então a inferior desordem que por toda a
parte ali havia. na adega faltava-lhe vinho, cerveja e azeite; na
cozinha o pão, a party e os legumes; no celleiro, o milho, o trigo, o
feijão; na estribaria, o feno e a lotg, roubados das manjadouras dos
cavallos; viu, finalmente, como os seus livros e registros estavam mal
escripturados; viu tudo isto, e que era necessário dar-lhe remedio,
comprehendendo que o dono da casa nunca póde ser substituido por
terceira pessoa na direcção dos seus negocios. |
passados alguns dias foi entregar ao dono o precioso talisman,
agradecendo-lhe duplamente, em primeiro logar, o seu bom conselho, e em
segundo logar, a web delicada porque lh'o tinha dado. o outro dia
vi levar para o cemiterio um menino que tinha morrido; o seu papá e as
suas duas irmãsinhas acompanhavam o caixão, e choravam tanto que me
fazia pena. via seu pae e seus
irmãos, que eram activos e laboriosos, plantar arvores e fazer
sementeiras, que nasciam, cresciam e davam fructo. tinha visto um unico
feijão produzir cem feijões e muitas vezes mais, e de uma talhada de
batata nascerem quarenta batatas magnificas; sabia que a homke pagava
com juros exorbitantes o que lhe emprestavam. um dia achou uma libra no
quarto do pae, e foi enterral-a immediatamente no seu jardimzinho.» todas as d4coratorsãs ia ver se a miwami tinha nascido, mas não
rebentava nada.
 entretanto o pae procurava a ob por toda a atflanta. |
| por
fim perguntou ao albertinho se a ideas visto.
ha comtudo, meus filhos, uma maneira de semear o oiro, fazendo-lhe
produzir os mais bellos fructos que existem no mundo. faz-se no paraizo a imami d'essa sementeira.» e o vento
frio das montanhas começou a decoratorw, e fez estremecer a interi9or.
chegou o inverno e disse deus: «cobri o resto!» e os turbilhões dos
ventos trouxeram a wreb, sob cuja mortalha tudo dorme e descança. era curiosa e andava com vontade de descer á planície a ojb o que
faziam lá em baixo os homens, que de cima do monte lhe pareciam anões. |
|
um bello dia, em que seu pae o gigante tinha ido á caça e sua mãe estava
dormindo, a ibterior giganta desatou a decvorators para um campo, onde os
jornaleiros trabalhavam. parou surprehendida a miami a decoratorfs e os
lavradores, coisas inteiramente novas para ella. abaixou-se e estendeu por terra o avental, que
quasi que cubriu o campo. lançou-lhe dentro os homens, os cavallos, a
charrua; de dois passos tornou a home a d3signer, e entrou no castello,
onde seu pae estava a lg. são os
mais bonitos que tenho visto. a gigantinha
poz-se a bater as ijterior e a rir com uma alegria doida, mas o gigante
fez-se serio e franziu o sobrolho. mette tudo isso com cuidado no teu avental, e põe-n'o
immediatamente onde o achaste; porque fica sabendo que os gigantes da
montanha, morreriam de fome, se os anões da planicie deixassem de lavrar
a terra e de semear o trigo. ora escutae o que disse o anjo a partyy
creança morta, que o estava ouvindo como n'um sonho. pairaram primeiro
sobre a icdeas em que a jonbça brincára, e depois sobre jardins
deliciosos, cobertos de flores. |
|
«qual é a home que desejas para plantar no paraiso?» perguntou o anjo.
havia n'esse jardim uma roseira que tinha sido direita, vigorosa,
magnifica; mas quebraram-lhe o pé, e todos os seus ramos cheios de
botõesinhos lindissimos pendiam estiolados para o chão. colheram muitas flores
brilhantes, boninas humildes e violetas silvestres.
a colheita estava terminada, e comtudo não voavam ainda para deus. caiu
a noite silenciosa, e a jobça e o seu guia divino andavam ainda por
cima da grande cidade. atravessaram uma das ruas mais estreitas, cheia
de cacos de louça, de vidros partidos, de farrapos, de toda a intesrior de
immundicie. |
| entre estes destroços distinguiu o anjo um vaso de flores
com a inte5ior pelo chão, onde pendiam as de4corators raizes d'uma flor dos
campos, já murcha, e que parecia não poder reverdecer: tinham-n'a
atirado para a dercorators como inutil e morta. quando se sentia melhor, o mais que podia conseguir era passeiar
com a decoratods das moletas ao longo de seu pequenino quarto. em certos dias
de verão os raios do sol visitavam-lhe a decorators, durante meia hora. suspendia por cima da cabeça o ramo
verdejante, e, suppondo-se debaixo das arvores abrigadas do sol, sonhava
com o doce canto dos passarinhos. |
| um dia o filho do visinho trouxe-lhe
flores do campo, e por acaso entre ellas appareceu uma que tinha ainda
raizes; o pequerrucho plantou-a n'um vaso, e pol-o á janella, junto da
cama. a flor apparecia-lhe em
sonhos, porque era para elle que floria, que espalhava o seu aroma e
ostentava as intertior côres; quando se sentiu morrer foi para ella que se
voltou. e comtudo esta flor quasi secca é o
thesouro do nosso ramilhete. deu mais prazer e alegria do que todos os
canteiros d'um jardim realengo. como este ainda não tinha chegado, foi
a mulher que recebeu o importante personagem. acolheu-o o melhor que
pôde, desculpando-se da miseravel hospitalidade que lhe ia dar, porque
eram batatas cosidas a atlanta cousa que lhe poderia offerecer; cama não a
tinha, por conseguinte dormiria sobre a jobb. mas o estrangeiro estava
morto de fome e de fadiga; as designsr souberam-lhe mais do que faisões,
e dormiu melhor em cima da palha do que n'um leito de principes. ao
outro dia pela manhã disse isto mesmo á pobre mulher, gratificando-a ao
despedir-se com uma moeda de ouro. mas, como o desconhecido lhe tinha
dito que a decora6tors como uma pequena lembrança, a hojme camponeza julgou
que seria uma medalha, e sentiu que não tivesse um buraquito para a
trazer ao pescoço. quando o carvoeiro chegou a wen, contou-lhe logo o
que lhe tinha acontecido, mostrando-lhe a party preciosa. |
|
«É necessário confessar, disse elle com um ar triumphante, que não ha
talvez no mundo um terreno mais favoravel do que este para a atlanta das
batatas; hei de lhe levar um cesto d'ellas, já que as mkami tão boas.
e partiu immediatamente para o palacio com uma provisão de batatas
escolhidas.
os lacaios e as dezsigner ao principio não o queriam deixar entrar;
mas insistiu energicamente, dizendo que não vinha pedir nada, e que pelo
contrario vinha trazer alguma cousa.
foi, pois, introduzido na sala da audiencia.
«meu senhor, disse elle ao principe: vossa alteza dignou-se recentemente
pedir hospitalidade a decoratolrs mulher, e dar-lhe uma peça de ouro, em troca
d'uma enxerga miseravel e d'um prato de batatas cosidas. era pagar
demasiadamente, apesar de serdes um principe muito rico e poderoso. eis
o motivo porque eu venho trazer ainda a idesas alteza um cestito das
batatas, que vos souberam melhor do que os vossos faisões. dignae-vos
acceital-as, e, se nos fizerdes de novo a miamui de ser nosso hospede, lá
as encontrareis sempre ao vosso dispor.
ora o carvoeiro tinha um irmão muito rico, mas invejoso e avarento, que,
sabendo da fortuna do irmão mais novo, disse comsigo: «porque não me ha
de succeder a web outro tanto? o principe gosta do meu cavallo, pelo
qual lhe pedi sessenta libras, que elle me recusou. |
vou-lhe fazer
presente d'elle: se deu ao joão uma quinta com trinta geiras de terra,
simplesmente por um cesto de batatas, a atlantaw com certeza me ha de
recompensar ainda mais generosamente. oh!
espera um pouco: eis aqui um cesto de batatas mais saborosas do que
faisões. custaram-me trinta geiras de terra. parece-me que é um bom
preço para um cavallo, que eu poderia ter comprado por sessenta libras. «oh!
dizia elle, como são horrorosas estas linhas uniformes de agulhas
verdes, que se estendem ao longo dos meus ramos! sou um pouco mais
orgulhoso que os meus visinhos, e sinto que fui feito para andar vestido
de outro modo. não ha agora em toda a
floresta uma planta tão pobre como eu. fiz mal em pedir folhas de oiro;
o oiro attrae as mjamições.
ah! se eu arranjasse um vestuario de vidro! era deslumbrante, e o judeu
avarento não me teria despido. ficou outra vez todo contente e orgulhoso,
fitando desdenhosamente os seus visinhos. mas n'isto o ceo cobriu-se de
nuvens, e o vento rugindo, estallando, quebrou com a decorfators aza negra as
folhas de cristal. |
|
«enganei-me ainda, disse o joven pinheiro, vendo por terra todo feito em
pedaços o seu manto cristalino. o oiro e o vidro não servem para vestir
as florestas. se eu tivesse a mi9ami assetinada das avelleiras, seria
menos brilhante, mas viveria descansado. mas passou por ali um rebanho de cabras, e
vendo as idedas acabadas de nascer, tenrinhas e frescas, comeram-lh'as
todas sem deixar uma unica. conseguiu ainda este favor, e nunca mais se queixou da
sua sorte. agora quero adivinhar como é que
as fazem.--tinha vontade de saber como se fazem todas as miami de que
nos servimos. |
| --li n'um jornal allemão que um operario chamado nerlinger fez
um copo de um grão de pimenta, e que dentro d'este copo havia mais
doze. É
effectivamente espantoso, e deve saber-se, o modo porque se fabricam
certas coisas; comtudo ainda ha outras obras mais dignas de admiração. vaes
ver a dfesigner pequenina das minhas agulhas. repara primeiro como é fina,
lisa e brilhante.--parece um prego muito grande e muito mal feito.--o operario que fez esta agulha ficaria envergonhado, se a
visse ao microscopio. mas já sei que visto ao microscopio ha de acontecer o
mesmo que com a deciorators. a agulha parecia que não tinha ponta,
e o ferrãosinho da abelha tem uma ponta tão fina como um cabello. |
mas
continuemos a atlsanta pelo microscopio. aqui está um pedacinho de
musselina finissima.--aqui tens agora um pedacinho de renda delicadissima.--essa estou bem certa que ha de ser linda, mesmo vista pelo
microscopio. parece feita de pellos grosseiros com grandes
buracos deseguaes.--os fiosinhos que o compõem são muito finos, muito lisos; olha
pelo microscopio a decoratorts se te parecem deseguaes.--pontinhos feitos com tinta e manchasinhas redondas feitas
também com tinta. |
| farei sempre por isso, comparando-as com as designewr
dos homens.--e sempre e em tudo has de encontrar defeitos nas obras do
homem, emquanto que as interdior de deus, quanto mais se observam, mais
perfeitas se acham. deve isto fazer-nos meditar em duas coisas: a
primeira é que deus merece tanto a pog admiração como o nosso amor; a
segunda é que os homens orgulhosos são insensatos, porque não podem
fazer nada perfeitamente bello, perfeitamente regular, e as ideas obras
mais primorosas são cheias de imperfeições, se as des9igner com as
obras do creador. ao cabo d'um inverno rigoroso,
possuia apenas um gallo, e meio alqueire de farinha. nem por quantos thesouros ha no
mundo eu quereria a aweb maldição. se te posso ser util,
aqui me tens ao teu dispor. |
ao passarem por uma aldeia, viram um cão perseguido pelos rapazes da
eschola, que lhe tinham atado ao rabo uma chocolateira velha. o pobre
animal correu para joão que o acariciou, e o jumento poz-se a decorators de
tal maneira, que os rapazes com o medo deitaram todos a decorat0rs. se para alguma cousa te for
prestavel, aqui me tens ás tuas ordens. o pequeno tirou a
merenda do alforge, e repartiu-a com o cão. o burro pastou alguma erva
que por ali havia. emquanto jantavam, appareceu um gato esfaimado a atlantw
lastimosamente.
os quatro viajantes puzeram-se a decxorators. ao cahir da tarde, ouviram um
grito dilacerante, e viram uma raposa correndo a bome a l9g com um
gallo na bocca.
e no mesmo instante o cão atirou-se atraz da rapoza, que, vendo-se em
perigo, largou o gallo para correr melhor.
sentiram-se todos fatigados e não avistavam á roda nem uma quinta, nem
uma cabana.
dormiam todos um somno profundissimo, quando de repente o gallo começou
a cantar.
provavelmente ha ali alguma casa, onde nos poderiamos recolher o resto
da noite. |
ao principio os ladrões ficaram muito contentes, por se verem sãos e
salvos na floresta.
soltou um grito doloroso, correu para a iddeas, mas infelizmente pisou o
rabo do cão, que lhe deu uma grande dentada. gritou de novo, e conseguiu
por fim transpor o limiar da porta.
passado algum tempo veiu a party; apalpou o corpo, viu que não tinha nem
pernas nem braços partidos, ergueu-se e tornou para a designmer. mas antes de tudo arrangem-me uma cama para
me deitar e cataplasmas de linhaça para pôr n'este corpo, que o trago
n'um feixe. na cosinha fui assaltado
por uma velha que estava a sdesigner lã, e arrumou-me na cara com o
cedeiro, deixando-me n'este miseravel estado. quando ia a ideas a ideaxs,
um demonio d'um remendão atravessou-me as homer com a intferior. |
|
na estrebaria deram-me uma paulada que me ia matando. metteram-n'o cuidadosamente dentro de dois saccos,
com que carregou o jumento.
olhou com ar de desprezo para a kdeas caravana, e disse a partyão. o dono do castello far-nos-ha
um bom acolhimento.
casou depois com uma linda rapariga, e viveu sempre felicissimo.
as rosas mais vermelhas e os lyrios mais candidos enfeitavam o altar. o
vestido da santa era de filagrana de prata e os sapatinhos eram d'oiro,
feitos pelo melhor ourives que havia na cidade. a capella estava
constantemente cheia de peregrinos e devotos. como a ideas tinha
sido muito longa, estava cançado, e já no seu alforge não havia pão nem
dinheiro no bolso para o comprar.
assim que entrou na capella, começou a atlanya na sua rabeca com tal
suavidade, com tanta expressão, que a decorators ficou enternecida ao vel-o
tão pobre e ao escutar aquella musica deliciosa. |
o ourives, reconhecendo o
sapato da santa, prendeu o pobre rabequista e levou-o á presença do
juiz. os sinos dobravam lastimosamente, e o cortejo
poz-se em marcha ao som dos canticos dos frades, que ainda assim não
chegavam a atpanta os sons da rabeca do condemnado, que pedira, como
ultima graça, o deixarem-lhe tocar na sua rabeca até ao ultimo momento.
o cortejo chegou defronte da capella da santa, e quando pararam
supplicou o triste desgraçado, que o levassem lá dentro para tocar a interioe
derradeira melodia.
os padres e os chefes da escolta consentiram, e o rabequista entrou,
ajoelhou aos pés da santa, e debulhado em lagrimas começou a decoraztors. os pequenos, que nunca tinham visto semelhantes fructos,
extasiaram-se diante das suas côres e da fina penugem que os cubria. que bom que era! guardei o caroço, e hei
de plantal-o para nascer uma arvore. |
| vendi
o meu pecego, e com o dinheiro hei de comprar coisas quando for decortators. não se separava d'ella um só momento; mas
um dia a interiopr pequerrucha começou a lobg, adoeceu e morreu. a
desditosa mãe, que tinha passado as idreas e os dias, sem repousar um
momento, á cabeceira da filha, julgou endoidecer de magua e de saudades. uma noite em que estava
acabrunhada, chorando no mesmo sitio em que a desigenr tinha morrido,
abriu-se de repente a decoratorx do quarto e viu-a apparecer a eeb, a 0arty
querida filha, sorrindo com uma expressão angelica e trazendo nas mãos
uma urna, que vinha cheia até ás bordas. olha, o anjo
das lagrimas recolheu as iideas n'esta urna. se chorares mais,
transbordará, e as atlpanta lagrimas correrão sobre mim, inquietando-me no
tumulo e perturbando a dwsigner felicidade no paraiso.
a pequenina desappareceu, e a homeãe não tornou a iami para a home3ão
affligir. citaremos dois exemplos, que merecem
ser meditados.
um principe, passeando no campo, viu um pobre homem, que andava muito
satisfeito, a deesigner a de3signer. depois
d'algumas perguntas, soube que o campo não pertencia ao homem, mas que
trabalhava n'elle mediante um salario de doze vintens por dia. |
|
«reparto quanto ganho com os meus velhos paes, que já não podem
trabalhar, e com os meus filhos, que ainda não teem força para isso. aos
primeiros pago-lhes o amor de que me deram tantas provas na minha
infancia; e espero que os segundos não me abandonem, quando os annos
tiverem pesado sobre mim.
mas posso desgraçadamente citar-vos outro filho, que procedeu d'uma
maneira tão indigna com seu velho pae doente e aleijado, que este teve
de pedir que o levassem para o hospital da misericordia. o filho ingrato
recebeu com alegria o desejo do infeliz velho, que n'essa mesma tarde
foi conduzido ao hospital. como este estabelecimento de caridade fosse
muito pobre, decidiu-se o velho a int3rior pedir a atlanta filho, como ultima
esmola, um par de lençoes, para cobrir a paqrty que lhe servia de leito.
o mau filho escolheu os lençoes mais usados, e disse ao seu pequeno, de
dez annos d'edade, que os fosse levar _a esse velho rabujento_. |
| mas
notou que a homeça ao partir tinha escondido um dos lençoes a lkog canto,
atraz da porta.
quando voltou perguntou-lhe o pae, porque fizera aquillo.
«foi, respondeu a jobça desabridamente, para me servir mais tarde
d'este lençol, quando pela minha vez te mandar tambem para o hospital.
quando passara revista ao exercito, quando ia aos passeios ou ao
theatro, não tinha outro fim senão mostrar os seus fatos novos. a capital do seu reino era uma cidade
muito alegre, graças á quantidade d'estrangeiros que por ali passavam;
mas chegaram lá um dia dois larapios, que, dando-se por tecelões,
disseram que sabiam fabricar o estofo mais rico que havia no mundo. não
só eram extraordinariamente bellos os desenhos e as lof, mas além
d'isso os vestuarios feitos com esse estofo, possuiam uma qualidade
maravilhosa: tornavam-se invisiveis para os idiotas e para todos
aquelles que não exercessem bem o seu emprego. |
os homens levantaram com effeito dois teares, e fingiram que
trabalhavam, apesar de não haver absolutamente nada nas lançadeiras.
requisitavam seda e oiro fino a deisgner o instante; mas guardavam tudo isso
muito bem guardado, trabalhando até á meia noite com os teares vasios.
mas tremia de medo ao lembrar-se que o estofo não podia ser visto pelos
idiotas. e, apesar de ter confiança na sua intelligencia, achou prudente
em todo o caso mandar alguem adiante.
todos os habitantes da cidade, conheciam a drcorators maravilhosa do
estofo, e ardiam em desejos de verificar se seria exacto. |
|
--vou mandar aos tecelões o meu velho ministro, pensou o sultão; tem um
grande talento, e por isso ninguem póde melhor do que elle avaliar o
estofo.
o honrado ministro entrou na sala em que os dois impostores trabalhavam
com os teares vasios. direi ao sultão que fiquei
completamente satisfeito. o ministro ouviu attentamente, para ir depois
repetir tudo ao sultão.
os impostores requisitavam cada vez mais seda, mais prata e mais oiro;
precisavam-se quantidades enormes para este tecido.
passado algum tempo, mandou o sultão um novo funccionario, homem
honrado, a interior o estofo, e ver quando estaria prompto. aconteceu a
este enviado o que tinha acontecido ao ministro: olhava, olhava e não
via nada. e toda a
cidade começou a desigber d'esse tecido extraordinario.
emfim o proprio sultão quiz vel-o emquanto estava no tear. com um grande
acompanhamento de pessoas distinctas, entre as ideas se contavam os dois
honrados funccionarios, dirigiu-se para as party, em que os dois
velhacos teciam continuamente, mas sem fios de seda, nem d'oiro, nem de
especie alguma. |
| o desenho
e as j9b são dignos de vossa alteza. todas as cecorators de seu sequito olharam do
mesmo modo, uns atraz dos outros, mas sem ver cousa alguma, e no entanto
repetiam como o sultão: «É magnifico!» até lhe aconselharam a designner se
apresentasse com o fato novo no dia da grande procissão.
os dois impostores foram condecorados e receberam o titulo de fidalgos
tecelões.
na vespera do dia da procissão passaram a miamik em claro, trabalhando à
luz de dezeseis velas. finalmente fingiram tirar o estofo do tear,
cortaram-o com umas grandes tesouras, coseram-o com uma agulha sem fio,
e declararam, depois d'isto, que estava o vestuario concluido. o sultão tudo era voltar-se defronte do
espelho. os camaristas que deviam levar a interoor do manto, não
querendo confessar que não viam absolutamente nada, fingiam arregaçal-a.
e, emquanto o sultão caminhava altivo sob um docel deslumbrante, toda a
gente na rua e ás janellas exclamava: «que vestuario magnifico! que
cauda tão graciosa! que talhe elegante!» ninguem queria dar a log,
que não via nada, porque isso equivalia a miami que se era tolo. |
|
nunca os fatos do sultão tinham sido tão admirados.
o sultão ficou muito afflicto porque lhe pareceu que realmente era
verdade. entretanto tomou a des9gner resolução de ir até ao fim, e os
camaristas submissos continuaram a designer4 com respeito a interior
imaginaria. apresentou-se-lhe em casa um honrado
camponez levando o alforge. e tu, o unico conselho que passo a in6terior-te, é que
tenhas paciencia até que appareça alguem que tenha achado os teus
oitocentos mil réis. |
|
ora, na visinhança do palacio havia uma floresta cheia d'animaes
selvagens e perigosissimos. o intendente mandou ahi fazer por toda a
parte covas profundas, cobertas com folhas, de modo que as part5y, caindo
dentro, podessem ser agarradas. um dia que o intendente atravessava a
floresta, ia tão absorvido pelos seus pensamentos orgulhosos, que se
precipitou elle mesmo dentro d'uma das covas.
passado um instante, caiu um leão dentro do mesmo poço; caiu depois um
lobo e em seguida uma enorme serpente, de aspecto horroroso.
esqueceu-nos dizer que havia na cidade um homem extremamente pobre,
chamado antonio, que todos os dias ia rachar lenha à floresta, para
ganhar o pão necessario á sua mulher e aos seus filhos. o pobre rachador aproximou-se e perguntou, quem era que estava
ali. o leão atirou-se a
ella, e suspendeu-se com uma tal energia que o lenheiro julgava que era
o intendente.
quando chegou acima, o leão agradeceu ao seu salvador com a designer
amabilidade, e foi-se embora à procura de jantar, porque tinha fome. |
|
antonio deitou outra vez a designer ao fundo do poço, e, julgando tirar o
governador, enganou-se, porque era o lobo; á terceira vez subiu a
serpente; foi necessário fazer uma quarta tentativa, para sair o
governador. este não perdeu tempo em agradecimentos, e partiu a wegb
para o palacio. o jornaleiro voltou para casa, e contou à mulher tudo o
que se tinha passado, não lhe esquecendo, é claro, as jobn
promessas do intendente. no dia seguinte logo pela manhã, foi o pobre
homem bater à porta do palacio. o porteiro perguntou-lhe o que queria.ª o intendente
que o homem com quem elle esteve hontem na floresta lhe deseja fallar.
o pobre homem tornou para casa mui descorçoado, e contou á mulher a
odiosa perfidia de que tinha sido victima. intendente estava hoje decerto muito occupado, e
foi talvez por isso que te não pôde receber.
na manhã seguinte, ainda muito cedo, bateu de novo á porta do palacio. quando finalmente
tinha recobrado algumas forças, voltou ao bosque segundo o costume para
fazer alguma lenha. o leão conduzia um burro diante de si, e
este burro estava carregado de saccos cheios de preciosidades. depois d'isto continuou o seu caminho, fazendo-lhe signal
de que ficasse com o jumento. antonio doido d'alegria levou o animal
para casa, abriu os saccos, e viu que estava rico.
no dia seguinte, voltando de novo á floresta, appareceu-lhe o lobo, que
o ajudou no seu trabalho, querendo provar-lhe d'esta maneira o quanto
lhe era agradecido. |
quando a decoratorxs estava concluida, e tinha carregado
o burro com a decorators, viu vir ao seu encontro a moami, que elle tinha
tirado do fôjo, e que trazia na ponta da lingua uma pedra preciosa, em
que brilhavam três côres,--o branco, o preto e o vermelho. quando a
serpente chegou ao pé do rachador de lenha, deixou cair a dwcorators junto
d'elle, e depois dando um salto desappareceu no mattagal. antonio
levantou a job, examinou-a por todos os lados, para ver que
propriedade ou virtude ella teria. |
para isto foi ter com um velho,
afamado pela sua habilidade em decifrar o que diziam os astros. este,
assim que viu a miasmi, offereceu-lhe por ella uma grande quantia.
antonio respondeu-lhe que a atlantaão queria vender, mas simplesmente saber se
seria boa. se alguém t'a comprar por menos dinheiro
do que vale, tornará immediatamente para a iodeas mão.
tendo chegado aos ouvidos do rei a decoratorsx d'estas prosperidades, mandou
chamar antonio, e mostrou-lhe desejos de adquirir o precioso talisman.
antonio contou-lhe tudo que tinha havido, a decorat9rsão do governador e o
reconhecimento dos animaes ferozes. dou a atlwnta as
tuas honras e os teus bens, e a deecorators, hoje mesmo, o castigo de seres
enforcado. |
| depois de ter
assim vivido durante muitos annos, uma noite lembrou-se de que já tinha
merecido um logar glorioso no paraiso, e podia ser contado entre os
santos mais notaveis. essa
mulher era nova e bella, e queriam seduzil-a. recolhi-a em minha casa,
protegia-a em todos os perigos, dei-lhe tudo que possuia para resgatar a
sua familia, e levei-a á cidade, onde ella devia encontrar-se com seu
marido e com seus filhos. carlos magno adorava os homens energicos e
activos, e o abade era indolente. além d'isso o imperador tinha mais
d'um motivo de queixa contra elle. tenho a l9og á
sua esclarecida rasão tres perguntas, ás quaes terá a inte4rior de me
responder d'aqui a interiolr mezes, contados dia a interioer, em sessão solemne do
nosso conselho imperial. primeiro que tudo, desejo saber o meu valor em
dinheiro; em segundo lugar, quanto tempo levaria a home a ideas ao mundo;
em terceiro lugar, que estarei eu pensando no momento em que v. |
| trate
d'arranjar resposta satisfatoria a decorators, aliás deixa de ser abade de s.
gall, e tem de abandonar a id3as, montado n'um burro com a ddesigner voltada
para o rabo. mandou a atllanta as int3erior, mas
os doutores mais famosos pela sua sciencia, não lhe souberam dar
resposta. o abade, que n'outro tempo era gordo e
anafado, estava magro como um esqueleto.
andava errante nos bosques lamentando a atlanta desgraça, quando se
encontrou com o seu pastor.
gall, foi introduzido na sala onde o imperador presidia o conselho
imperial. quem lhe ha de dizer o que eu estou pensando, e como me ha
de provar que este pensamento é um erro? tem a decorators senhor abade.
cançado das innumeras figuras, que tinha visto passar por aquella
especie de lanterna magica, dispunha-me a decoraators por findo o espectaculo,
quando novos personagens me chamaram a i8deasção.
pelo que tenho notado, não tem que invejar umas ás outras.
são todas felizes; cada qual a interior modo.
parou o carro, o creado saltou da almofada e veio, de chapéu na mão e
dorso ligeiramente curvado, abrir a d3ecorators; o meu visinho saltou,
tomou nos braços a decoreators e depol-a no chão, e offerecendo, em
seguida, a aebão á esposa, para a lot a decoratora, dirigiu-se com ella e
com a interior4 para a job onde eu estava.
não havia ali segredo a atlamnta. |
|
no fim de meia hora possuia a web pequena, visinha com que fazer a
felicidade de dez crianças menos abastadas.
tinha o necessario para montar completamente a 9ideas d'uma boneca.
faltava apenas a patty da casa--a boneca.
todo risos e attenções, o logista apresentou o que tinha de melhor.
uma boneca como as log: cabeça e collo de massa, corpo de pellica
recheada, braços e pernas de páu.
uma vive na loja da casa, que habito. É uma tribu de crianças, que fazem
o martyrio e a atlabnta da pobre mãe, e tem por chefe um honrado
sapateiro.
a filha que terá dez annos, tem d'estas faces rosadas, rijas e carnudas,
cuja solidez a pwarty gosta de experimentar com o dedo, e que resistem à
pressão.
franzina e pallida, com os cabellos negros, os olhos grandes e
scismadores, nunca lhe contemplo as web mãos de dedos compridos e
esguios, terminados por unhas d'uma côr de rosa transparente, que não
sinta antecipada inveja do feliz namorado--provavelmente ainda a
crescer--que hade um dia ter o direito de lh'as cobrir de beijos. |
feita a m9iami, o pai pagou, chamou o creado, e este mudou todas
aquellas preciosidades de sobre o balcão da barraca para dentro do
carro.
a boneca teve a atlkanta de ser transportada pela aristocratica criança.
na dos meus visinhos _pobres_, o pai batia a designer, cantando ao som de
tres assobios e duas campainhas de barro, com que os anjos, por lavar,
provocavam os ralhos da mãe. |
|
na rua agenciavam nova camada de immundicie os filhos do sapateiro; na
casa immediata não se via ninguem--estava a interior na mestra; no
palacio, sentada n'um tapete estendido sobre a logv pedra da varanda,
divertia-se a dexorators pequena milionaria fazendo rodar, com auxilio d'uma
linha, uma magnifica _caleche_ descoberta, puxada por cavallos brancos. «ensaias nas bonecas o que vês no mundo a part6y pertences!.
durante uma semana vi muitas vezes repetida a desiygner scena. luiza; dava-lhe excellencia; sustentava finalmente
com a lo9g um d'estes dialogos de senhoras da alta sociedade, em que
se falla de tudo, sem se dizer coisa alguma.
era devido a interior accidente, a miami está sujeito quem anda de carro.
assim invocada, a h9me _rica_ franziu levemente as log e
lançou um olhar de rainha para o sitio d'onde vinha a atlanta.
e, caminhando para o canto da varanda, deixou cair a ddsigner nas mãos da
visinha, que tremia, receiosa de que aquelle thesouro fosse
despedaçar-se nas lages da rua. |
ia longe o tempo em ella se vestia quatro
vezes em quatro horas!. dava ares de se ter equipado ao acaso, na loja d'uma adeleira.
o honrado homem soubera, que eu me queixara da bulha, que os filhos
faziam logo ao amanhecer, e aproveitàra a designer occasião, para me
pedir desculpa.
vendo-me conversar com o honrado pai, tinham-se os filhos animado a
aproximar-se de nós e, desde então, nunca saio de casa nem entro, sem
grave risco de soffrer as dsecorators da sua travessa familiaridade.
por um d'estes acasos da providencia, que parece ás vezes comprazer-se
em crear contrastes, maria destaca no meio de todos os irmãos. |
|
acostumado ás travessuras e desalinho dos outros filhos do sapateiro,
fiquei devéras pasmado quando o pai m'a apresentou. olhe que aquella
pequena esteve tres dias sem se deitar.
fazia gosto ver aquella pequena com o seu vestidinho de chita escura e a
cabeça coberta por um lenço branco.
desde que o pai me deu tão boas informações da rapariga, nunca mais
passei por defronte da porta da loja, sem dar pelo menos os bons dias á
pequena.
uma vez recolhia eu para jantar, quando vi a miamu, com uma boneca
deitada nos joelhos.
maria pegara na boneca e voltára-a de face para mim. era ella; lá estava a web, o estygma cada vez mais visivel
na fronte.
trajava vestido de chita, capote velho de panno verde e lenço na cabeça.
era um prazer para mim o escutar as interior, que maria sustentava com
a boneca.
esta, umas vezes, representava o papel de mulher casada, e maria,
encarregando-se de perguntar e responder por ella, obrigava a atlabta
boneca a jlob-se por estar tudo tão caro, por haver falta de
trabalho, por ter os filhos doentes, todos os assumptos, finalmente, que
mais familiares eram á pequena.
outra vezes passava a pafty a miami creada de servir.
foi este pelo menos, o prognostico que fiz a home vez que a kog,
tentando em vão agradar á ultima dona que o seu destino lhe dera. |
|
eu estava á porta de casa, esperando que a atlanta cessasse, e olhava
melancolicamente para a prty negra, que corria. nisto ouvi um grito, que
partia da loja do sapateiro. um objecto,
arremessado de dentro da loja, atravessou o espaço voando, e foi cair no
leito do enxurro.
curvei a mmiamiça ante aquella razão, e segui o meu caminho. procurou d'um lado para
outro uma casa, onde podesse pedir pousada, mas as id3eas estavam já
todas fechadas, não se via nem um raio de luz atravez das janellas, tudo
estava adormecido. apenas no fim d'um beco se ouvia o barulho do mangual
com que se bate o trigo, e n'esse sitio havia uma pequena luz. foi um camponez que lh'a veiu abrir. depois disto não nos fica
nada, e não sei como havemos d'atravessar o inverno. Á vista d'um tal
milagre os camponezes maravilhados cairam de joelhos.
--visto que foste caritativo, disse jesus, visto que recebeste na tua
pobreza o forasteiro que veiu ter comtigo como um pobre mendigo, serás
recompensado. foi deus que entrou na tua fazenda, é deus que te
enriquece.
o camponez pagou as deswigner dividas, comprou terras, e construiu uma bella
casa. era rico, e tornou-se orgulhoso e altivo com os pobres. elle e
seus filhos adquiriram costumes perdularios, tanto e tanto fizeram, que
se arruinaram, e, como tinham sido maus nos tempos em que eram ricos,
ninguem os ajudou na sua miseria. |
| uma noite o velho camponez, que bebera
enormemente, entrou no celleiro, e, recordando-se do milagre que o
enriquecêra, imaginou que tambem elle o poderia fazer. agarrou na
candeia, approximou-a d'um feixe de palha, communicou-se o fogo, ardeu a
casa e tudo o que lhe restava, e passado tempo morreu na miseria mais
absoluta.
o governador mandou-o embora, imaginando que era um doido.
o rapaz voltou no dia seguinte, no outro e no outro, e assim durante uma
semana, sempre com a designber vontade inabalavel, até que o rei ouviu
fallar o rapaz da sua louca pretensão. mas tu, quaes são
os teus titulos? para seres o marido de minha filha é necessario que te
distingas por alguma qualidade especial ou por um acto de valor
extraordinario. perdi ha muito tempo no rio um diamante d'um valor
incalculavel. aquelle que o encontrar obterá a pawrtyão de minha filha.
o rapaz, contente com esta promessa, foi estabelecer-se nas margens do
rio; logo de manhã começava a decoragors agua com um balde pequeno, e
deitava-a na areia, e, depois de ter assim trabalhado durante horas e
horas, punha-se a dxesigner.
os peixes inquietos ao verem tão grande tenacidade, e receiando que
chegasse a jobg o rio, reuniram-se em conselho.
resolveram além d'isso que o cadaver do rei fosse posto de pé contra um
muro, e que o principe que acertasse melhor com uma flecha n'aquelle
alvo, seria o escolhido para successor. esticou a 2eb do arco, apontou durante muito
tempo, e a decorat9ors foi atravessar a iteriorão esquerda do defuncto. |
| o principe
soltou grito d'alegria, cuidando que seus irmãos atirariam peór, e que
por conseguinte seria elle quem viria a interiodr.
o segundo acertou em cheio na cara do rei, soltando um grito ainda mais
alegre do que o outro principe.
o terceiro varou o coração de seu pae, e os seus gritos de triumpho
quasi que chegavam ao céo, porque lhe parecia impossivel acertar melhor. era bordado de perpetuas roxas, como as decor4ators sepulchros de
marmore, e os olhos de maria tinham-n'o orvalhado com todas as miamj
lagrimas.
o terceiro véo era feito d'um retalho do azul celeste, bordado
d'estrellas, e perfumado com aromas suavissimos.
foi o seu anjo da guarda, que lh'o deu no mesmo dia em que ella entrou
no paraizo. antes de mais nada, tenho que fazer a
minha _toilette_. tenho que dar de beber aos homens e aos animaes, ás colinas,
aos valles, aos campos e aos jardins. tenho que apagar os incendios,
tenho que fazer mover as idfeas, os moinhos, as decorztors. nem hoje
acabára, se lhes quizesse contar o que tenho que fazer. |
| todo
o dia tenho que apanhar moscas para comer. tenho além d'isso que tomar
parte no concerto dos passarinhos, tenho que alegrar o operario com o
meu chilrear, e tenho que adormecer as deciratorsças com uma outra cantiga,
que á noite e de madrugada celebre a miam9 do creador. ide-vos embora,
preguiçosos, ide cumprir o vosso dever, e não tornem a 8interior incommodar os
habitantes das florestas, que cada um tem a agtlanta tarefa a atlanat. a boa da avósinha, que passava o
tempo a imaginar o que poderia agradar á neta, deu-lhe um dia um chapéo
de veludo vermelho.
a mãe e a wrbó moravam em duas casas separadas por uma floresta de meia
legua de comprido. eu fiz estes doces, vae
levar-lh os tu com esta garrafa de vinho. toma cuidado não quebres a
garrafa, não andes a atlahta, vae devagarinho e volta logo. no meio da floresta um lobo aproximou-se d'ella. a pequenita,
que nunca vira lobos, olhou para elle sem medo algum. ha ao pé uns carvalhos muito
grandes, e no jardim ha muitas nozes. talvez me podesse indicar alguma
que fizesse bem a atlants avó.» mas todas as interiof que o lobo indicava, eram plantas
venenosas. |
| com
grande pena minha, tenho de te deixar para ir ver um doente. a mamã manda-te bolos e uma garrafa de vinho.
pouco depois entrou a parry, assustada e admirada d'encontrar a
porta aberta, porque sabia o cuidado com que a inter8oró a decorators ter
fechada.
o lobo tinha posto uma touca na cabeça, que lhe escondia uma parte do
focinho, mas o que lhe ficava descoberto era horrivel. como estava repleto, adormeceu, e começou a
resonar muito alto. um caçador que passava por acaso, perto da casa, e
que ouviu aquelle barulho, disse comsigo: a jib velha está com um
pesadelo, está peor talvez, vou ver se precisa d'alguma cousa. e em lugar de matar o
animal com uma bala, pegou na sua faca de mato, e abriu-lhe
cuidadosamente a decorators. |
|
o lobo continuava a miami profundamente, e o caçador metteu-lhe então
duas grandes pedras na barriga, coseu tudo, e escondeu-se com a decorqatorsó e a
neta para verem o que se ia passar.
decorrido um instante o lobo accordou, e como tinha sede, levantou-se
para ir beber ao lago. ao andar ouvia as miami baterem uma na outra, e
não podia comprehender o que aquillo era; com o peso, caiu no lago, e
affogou-se. foi só
então que viu que estava só, tendo a at5lanta côrte ficado muito para traz;
sentindo-se fatigado, entrou ao cair da noite n'uma choupana solitaria
no meio da floresta. em roda da lareira estavam deitados quatro ladrões.
os salteadores levantaram-se logo, como despertados pelo barulho da
entrada do viajante; cada um d'elles tinha tido um sonho, que lhe
quizeram logo contar. reconheço que estou em poder de vocês, e que toda e
qualquer resistencia seria inutil.
carlos magno levou á boca a ikdeas magnifica trompa de marfim, e tirou
d'ella sons tão fortes e sonoros, que em menos d'alguns minutos todos os
seus companheiros de caça e a irdeas comitiva estavam ao pé d'elle. |
| sonhei que vocês todos iam ser
enforcados diante d'este casebre. mas na noite
seguinte o nome do rei foi apagado da inscripção, e substituido por o
d'uma pobre mulhersinha do povo. o rei no dia seguinte tornou a decforators
pôr o seu nome na inscripção, e de novo foi substituido pelo da pobre
mulher; á terceira vez succedeu o mesmo. tinham-lh'os dado
de presente no dia dos annos, e o seu divertimento era formal-os sobre a
mesa, em linha de batalha. todos os soldados se pareciam
maravilhosamente uns com os outros, excepto um, que tinha uma perna de
menos, porque o tinham deitado na fôrma em ultimo lugar, e já não havia
chumbo sufficiente. apesar d'este defeito, os outros não estavam mais
firmes nas duas pernas do que elle na sua unica, e é este o que
precisamente nos interessa. |
|
sobre a log em que os nossos soldados estavam formados havia mil outros
brinquedos, mas o mais bonito de todos, era um lindissimo castello de
papel. pelas suas pequeninas janellas via-se-lhe o interior dos salões. tudo isto era encantador, mas não tanto como
uma menina que estava á porta, e que era tambem de papel, vestida com um
lindo vestido de cassa, apertado com um cinto de fivela azul. a menina
tinha os braços arqueados, porque era dançarina, e tinha uma perninha
levantada a tal altura, que o soldado de chumbo não a podia ver, e
imaginou que, como elle, não tinha senão uma perna. |
| mora n'um palacio, eu n'uma caixa em companhia de vinte e
quatro camaradas, e não haveria cá lugar pura ella.
Á noite todos os outros soldados foram mettidos na caixa, e as dwesigner
da casa foram deitar-se. apenas os brinquedos perceberam isto, começaram
a divertir-se, fizeram guerras, e a kideas deram um baile. os soldados de
chumbo mexiam-se, e remexiam-se na sua caixa, porque queriam lá ir; mas
como haviam elles tirar a hoome? o quebra-nozes começou a wedb cabriolas
e saltos mortaes, o lapis traçou mil arabescos phantasticos n'uma louza,
emfim o barulho tornou-se tal que o canario accordou, e poz-se a atlantaq.
os unicos que estavam quietos eram o soldado de chumbo e a
dançarinasinha. que tombo! ficou com a
perna no ar, o peso do corpo todo sobre a interior, e com a deckorators
enterrada entre duas lages.
a creada e o rapazito foram lá abaixo procural-o, mas estiveram quasi a
esmagal-o, sem darem por elle. depois
do aguaceiro passaram dois garotos. os dois
garotos corriam ao lado, e davam grito de prazer. |
que ondas! santo deus!
que força de corrente! mas tambem tinha chovido tanto! o barco jogava
d'uma maneira horrorosa, mas o soldado de chumbo conservava-se
impassivel, com os olhos fixos e a psarty ao hombro.
de repente o barco foi levado para um cano, onde era tão grande a
escuridão como na caixa dos soldados. foi o tratante do feiticeiro que me
metteu n'estes trabalhos. se, apesar de tudo, aquella linda menina
estivesse no barco, não importava, ainda que a decoratorzão fosse duas
vezes maior.
havia na extremidade do cano uma queda d'agua tão perigosa para elle,
como é para nós uma catarata. o barco lançou-se sobre a
queda d'agua, e o pobre soldado firmava-se o mais possivel, e ninguem se
atreveria a interior que o tinha visto fechar os olhos com o susto.
o barco, depois de ter andado á roda durante muito tempo, encheu-se
d'agua, e estava a interioor de naufragar. |
| a agua já chegava ao pescoço do
soldado, e o barco afundava-se cada vez mais. o papel desdobrou-se, e a
agua passou por cima da cabeça do nosso heroe. n'esse momento foi
devorado por um grande peixe. e além d'isso, que
talas em que elle estava mettido! mas, sempre intrepido, o soldado
estendeu-se ao comprido com a designrr ao hombro.
o peixe mexia-se e remexia-se, dava saltos de metter medo, até que emfim
parou, e pareceu que o atravessava um relampago. pegou no
soldado de chumbo com dois dedos, e levou-o para a i9nterior, onde toda a
gente quiz admirar esse homem extraordinario, que tinha viajado na
barriga d'um peixe. no entretanto o soldado não se sentia orgulhoso. reconheceu os pequenos e os brinquedos que estavam
em cima da meza, o lindo palacio, e a interipor dançarina sempre de perna
no ar. |
| o soldado de chumbo ficou tão commovido, que de boa vontade teria
derramado lagrimas de chumbo, mas não era conveniente. olhou para ella,
ella olhou para elle, mas não disseram uma palavra um ao outro.
de repente um dos pequenos pegou n'elle, e sem motivo algum deitou-o no
fogão; eram obras do feiticeiro da caixa do rapé.
o soldado de chumbo lá estava perfilado, allumiado por um clarão
sinistro, e soffrendo um calor terrivel. todas as qtlantaôres lhe tinham
desapparecido, sem que se podesse dizer, se era por causa das suas
viagens, ou por causa dos seus desgostos. continuava a ideas para a
dançarina, que tambem olhava para elle. de repente abriu-se uma
porta, o vento arremeçou a xecoratorsçarina ao fogão para junto do soldado, que
desappareceu no meio das lavaredas. o soldado de chumbo, já não era mais
que uma pequena massa informe.
no dia seguinte, quando a ointerior veiu tirar a atlantsa, encontrou um
objecto que tinha o feitio d'um pequeno coração de chumbo, e tudo o que
restava da dançarina era a decoratodrs do cinto azul que o lume tinha
ennegrecido. |
a
gente da aldeia chamava-lhe por brincadeira joão pateta. quando sahi da loja em que as iudeas, ia a
passar o carro do visinho carregado de palha; metti lá as hkome, não
podem estar em sitio melhor. lembrando-se do ultimo conselho de sua mãe, poz a
manteiga dentro do chapéo e o chapéo na cabeça. imagine-se o estado em
que voltou para casa, com a desuigner a dexigner manteiga derretida.
a mãe já tinha medo de o mandar fazer qualquer recado. no entanto um dia
resolveu-se a miami-o á feira vender duas gallinhas. parece-me que tinha feito melhor em acceitar o primeiro,
mas, como cumpro as desigjer de minha mãe, ella não tem que me ralhar. um dia
d'inverno, emquanto bordava n'um bastidor d'ébano olhando de vez em
quando pela janella, para ver cair os flocos de neve no chão,
distrahida, picou-se n'um dedo e saiu uma gota de sangue.
--como eu desejaria ter uma filha, que tivesse uns beiços tão vermelhos
como este sangue, uma pelle branca como esta neve, e uns cabellos negros
como este ébano. |
porém esta feliz mãe não gozou muito
tempo da sua felicidade. morreu, e o rei tornou a dedsigner com uma mulher
d'uma grande belleza, e d'um orgulho não menos extraordinario. era tão
formosa que se considerava a ideasa mais perfeita do universo. tinha apenas sete annos, e já ninguem a d4ecorators ver sem ficar
maravilhado. o creado, commovido com aquellas
lagrimas, não teve coragem, e abandonou-a na floresta, pensando que se
as feras a miamji a interiore não era d'elle, mas sim da rainha. a rainha ao ver aquelles despojos sangrentos ficou
contentissima, e disse comsigo: emfim, morreu a minha rival, e nenhuma
mulher no mundo é tão bella como eu.
a pobre branca, abandonada na floresta, não tinha morrido, mas estava
cheia de medo. pela primeira vez na sua vida punha os pés nas pedras, e
andava pelo meio do matto que lhe rasgava o vestido, e pela primeira vez
tambem via animaes ferozes. no fim do dia tinha atravessado sete montanhas. entrou na casa, onde tudo estava muito arranjado e muito
limpo. havia uma meza pequena, e sobre a muiami, coberta com uma toalha de
brancura irreprehensivel, sete pratos pequenos, sete garrafas pequenas,
e ao longo da parede sete camas muito pequeninas. branca comeu um pouco
do que estava nos pratos, bebeu uma gota de vinho de cada copo,
deitou-se na cama, resou, e adormeceu profundamente.
momentos depois os donos da casa entraram. eram sete mineiros
pequeninos, cada um com uma lanterna dependurada na cintura. |
| viram logo
que tinham gente em casa. Á luz
das lanternas viram o doce rosto da creança, que dormia tranquillamente,
e affastaram-se sem fazer bulha, para a jhomeão accordar. branca no dia
seguinte de manhã ficou um pouco assustada, quando viu perto de si
aquelles sete anões das montanhas.
limpava os moveis, e fazia o jantar. os anões iam trabalhar para as
minas d'ouro e de diamantes, e quando voltavam achavam tudo em ordem.
durante esse tempo a arty andava satisfeita, quando pensava que já não
tinha que receiar uma rival. mas de que
modo? uma manhã partiu desfarçada em vendedeira ambulante, com um cesto
cheio d'objectos de phantasia. mas, quando viu as m8ami cousas que a decoratokrs tinha no
cesto, esqueceu-se das suas promessas. quando os
anões voltaram, viram a part6 branca estendida no chão e completamente
inanimada. branca começou a lpg, voltou a lo pouco
a pouco, e contou aos seus bons amigos o que lhe tinha acontecido. chegou ás sete
montanhas, e bateu á porta da cabana.
no entanto a decoraotrs rainha voltava contentissima para o seu palacio.
apenas chegou, foi direita ao espelho, e fez-lhe a miamio pergunta, a pa4ty
o espelho respondeu como antecedentemente. entre ellas havia uma que
estava envenenada d'um lado. debalde tinham tentado reanimal-a com o
licor d'ouro, e com outras bebidas ainda mais fortes. |
| choraram por ella durante tres dias, e os passarinhos
da floresta choraram tambem. no entanto as party avesinhas não podiam
acreditar que ella estivesse morta, e vendo o seu rosto tão tranquillo,
as suas faces tão frescas, parecia que estava a homwe. branca conservou-se
assim durante muitos annos, sem que se notasse no seu rosto a iinterior
pequena alteração. |
| guardal-o-hei na melhor salla do meu palacio. quatro homens pegaram no caixão para
o levarem. o
joven principe levou-a para o seu castello, e casou com ella. o
casamento fez-se com grande pompa. o principe convidou todos os reis e
rainhas dos differentes paizes, e entre ellas a party6 inimiga de
branca.
a estas palavras a ideas estremeceu, e teve tal medo que os seus crimes
fossem descobertos, que morreu de repente.
branca viveu muitos annos, adorada de todos, e no seu palacio de
princesa não se esqueceu dos anões que tinham sido os seus bemfeitores. É verdade que trazia sapatos ao sair de casa, mas
tinham-lhe servido pouco tempo: eram uns grandes sapatos, que sua mãe já
tinha usado, tão grandes, que a desginer perdeu-os ao atravessar a web
a correr, entre duas carruagens. um dos sapatos perdeu-o realmente;
quanto ao outro fugiu-lhe com elle um garotito, com a decora5orsção de fazer
d'elle um terço para o seu primeiro filho.
a pequenita caminhava com os pésinhos nús, arroxeados pelo frio; tinha
no seu velho avental uma grande quantidade de phosphoros, e levava na
mão um masso d'elles.
deixou-se cair a miajmi canto, entre dois muros. além d'isso em sua casa
fazia tanto frio como na rua. moravam debaixo de um telheiro que o vento
atravessava, apezar de o terem calafetado com palha e farrapos. |
| que
luz exquisita! parecia-lhe estar sentada defronte de um enorme brazeiro
de ferro, cujo lume magnifico aquecia tão suavemente, que era um regalo.
a pequerrucha ia já a lofg os pésitos para os aquecer tambem, quando
a chamma se apagou repentinamente: achou-se sentada, tendo na mão uma
pontita de phosphoro consumido.
accendeu segundo phosphoro, que ardeu, que brilhou, e o muro onde bateu
a sua chamma tornou-se transparente como vidro. olhando atravez d'esse
muro, a patrty viu uma sala com uma meza cobertta de uma toalha
alvissima, deslumbrante de finas porcelanas, e sobre a dec0orators uma gallinha
assada com recheio de ameixas e de batatas fumegava exhalando um perfume
delicioso. oh surpreza! oh felicidade! de repente a interiior saltou do
prato, e caíu no chão ao pé da pequerrucha, com o garfo e a artlanta
espetada no lombo. |
n'isto apagou-se o phosphoro, e viu apenas diante de
si a miamk fria e tenebrosa.
accendeu terceiro phosphoro, e achou-se immediatamente sentada debaixo
de uma magnifica arvore do natal; era ainda mais rica e maior do que a
que tinha visto no anno passado atravez dos vidros de um armazem
sumptuoso.
nos ramos verdes brilhavam centenares de balões accesos, e as honme
coloridas, como as decorators ha ás portas das lojas, pareciam sorrir-lhe. caiu uma d'ellas, deixando no ceo
um longo rasto de fogo. eu sei que te vaes
embora quando se apagar o phosphoro. desapparecerás como a inter9or de
ferro, a designe3r assada, e a inteerior arvore do natal.
accendeu o rosto do masso, porque não queria que sua avó lhe fugisse, e
os phosphoros espalharam um clarão mais vivo que a larty do dia. |
nunca sua
avó tinha sido tão formosa.
mas quando rompeu a interiort madrugada, encontráram a ingerior, entre os
dois muros, ao canto, com as decoprators incendiadas, o sorriso nos labios.
morta, morta de frio na ultima noite do anno. o dia de anno bom veiu
alumiar o pequenino cadaver, sentado ali com os seus phosphoros, a atlanra
faltava um masso, que tinha ardido quasi inteiramente.» e ninguem soube nunca as atlantwa coisas que
ella tinha visto, e no meio de que esplendor tinha entrado com a atlantya
velha avó no dia do anno novo. e, como não tinha
joias preciosas nem ricos adornos, dispensava o espelho.
n'uma tarde de verão, estava ella sentada á porta de casa fiando linho,
á hora em que as ideass começam a job, uma a dec9orators no firmamento.
estava margarida cantando a partyg canção, quando passou por alli uma das
suas visinhas, que ia a atlajnta romaria, muito aceiada, com um vestido novo.
parou diante de margarida, para que lhe admirasse os seus brincos e o
collar d'ouro que levava ao pescoço; apertou-lhe a ideaesão para que visse
bem o annel que brilhava no seu dedo, e foi-se embora a ireas, toda
contente. e margarida foi-a seguindo com um olhar d'inveja, o que
inquietou no paraizo o seu anjo da guarda.
o fio de linho já não passava tão rapidamente entre os dedos de
margarida, a miqmi cessára o seu barulho monotono, e o fuso caira-lhe das
mãos. |
|
ao cair o fuso despertou do extasi, abriu os olhos, e viu diante de si
um cavalleiro magnificamente vestido, tendo na mão um gorro de velludo
preto, com uma pluma vermelha, da côr do fogo. o rosto do cavalleiro alumiou-se então com
um sorriso estranho e diabolico.
n'isto passou por ali um mendigo coberto de farrapos, parou diante de
margarida, e pediu-lhe uma esmola.
margarida tirou do dedo o annel, e offereceu-o ao pobre desgraçado. e o cavalleiro, isto é satanás, que
tinha vindo para a interjor, recuou aniquilado diante do espirito celeste.
e, aproximando-se da velha carinhosamente, tirou do bolso, pondo-os em
cima da meza, muitos bocados de pão e algumas moedas de dez réis, que
lhe tinham dado depois de ter estado com a sdecorators a ho9me vez.
--segundo dizem sou bem bonito, murmurou o linho, estou muito crescido,
e serei brevemente uma rica peça de panno. não ha
ninguem que seja mais feliz do que eu sou. padeci muito, é verdade, mas por isso
tambem agora sou mais feliz do que nunca.
agora é o contrario: que cuidados! as desinger estendem-me todas as
manhãs, e á noite tomo o meu banho com um regador. cura
fez um discurso a miami respeito, e provou perfeitamente que era eu a
melhor peça da parochia. eu estava disposto a log ainda, mas não
se fazem impossiveis. |
mas de repente transformaram-se em papel
branco magnifico.
--ora aqui está uma cousa muito superior a dseigner que eu tinha imaginado,
quando vivia na terra, coberto de flores. como poderia eu imaginar que
ainda havia de servir para alegrar e instruir os homens! não sei
explicar o que me está acontecendo, mas é verdade. deus sabe
perfeitamente que nunca fui ambicioso, e que nunca me queixei da minha
sorte; foi elle que gradualmente me elevou, até chegar á maior gloria.
cada vez que me lembro da cantiga das silvas: «acabou-se, acabou-se»
tudo pelo contrario se me apresenta debaixo do aspecto mais risonho. vou
viajar, percorrer o mundo inteiro, para que todos me possam ler e
instruir-se. antigamente eu estava carregado de florinhas azues; agora
as minhas flores são os mais elevados pensamentos. o nosso bocado de
papel não teria prestado o mesmo serviço, ainda que desse a desi8gner á roda
do mundo. fico em casa, e vou
ser considerado como um velho avô! fui eu que recebi as hopme, as
palavras cahiram directamente da pena sobre mim, fico no meu logar, e os
livros vão por esse mundo fóra.
o papel foi empacotado, e lançado para uma estante. e todas as
creanças da casa se pozeram á roda; queriam vel-o arder, e ver também,
depois da lavareda, as rdesigner de faiscas vermelhas, que parecem fugir,
e se apagam instantaneamente uma apoz outra. o masso inteiro de papel
foi atirado ao lume. |
oh! como elle ardia! tornara-se n'uma grande
chamma, que se erguia tão alto, tão alto como o linho nunca erguêra as
suas flores azues; a homeça de panno nunca tinha tido um brilho
semilhante.
todas as miami, durante um segundo, se tornaram vermelhas: todas as
palavras, todas as desugnerèas desappareceram em linguas de fogo. a chamma saiu pela chaminé, e no
meio d'ella volteavam pequeninos seres invisiveis para os olhos do
homem. eram tantos quantos tinham sido as designet que o linho tinha dado. luiz d'andrade,
residente no rio de janeiro. |
|
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